quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Mas qual sorte?

Desculpem, mas essa coisa da sorte é para quem vai lá uma vez de vez em quando. Nós, que nos sentámos naquele anfiteatro mais de 20 vezes, já passámos por tudo e sabemos bem que falar em sorte no sorteio é areia para os nossos olhos. Saiu-nos o campeão inglês, o campeão belga (país de onde têm emergido grandes jogadores nos últimos anos) e o campeão dinamarquês (cujo futebol me sugere sempre equipas combativas e difíceis).
O campeão inglês é o campeão inglês. O Leicester foi campeão porque foi melhor que muitos desses colossos que assustam os caloiros de sorteios.
Mas qual sorte?

#Saladejogos

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

As desgraças naturais

À margem, ou ao lado, das desgraças que nós próprios perpetramos ou que, em certa medida, provocamos – como os atentados, as guerras ou grande parte dos incêndios – aparecem, sem convite e sem aviso, as desgraças naturais. E quando essas desgraças naturais ocorrem em larga escala, disseminando o sofrimento e a dor, e ceivando vidas – muitas vidas – sou sempre sobressaltado pela inquietante constatação da nossa fragilidade neste mundo. Os terramotos (ou marmotos ou tsunamis) permitem-nos, ao menos, pensar sem ruído e sem censuras (porque não vale a pena procurar culpados ou bodes expiatórios) no nosso lugar neste mundo, em como a ausência de explicação nos conduz à incompletude. O «salto» que estes momentos me sugerem é o da fé, que tenho a graça de ter. É quase um impulso racional («não pode ser de outra maneira», penso). Mas penso também como será para quem não tem esse dom da fé. Se para qualquer «terreno» estes momentos são incompreensíveis e nos impelem à resistência e à revolta, é pela fé que encontro o consolo e a conformação possíveis. De outro modo custava-me mais aceitar a nossa fragilidade, a reiterada e experimentada precariedade da nossa existência, no fundo, esta condição que nos limita e expõe. Claro que vos fala alguém que tem fé. Mas imagino que a vida sem Deus e sem a esperança da Sua Justiça deve ser mais difícil.

Hoje penso naqueles que sofrem em Itália. Que sofrem pelos seus que partiram, pelos sofrimentos físicos que lhes foram infligidos, pelas privações e destruições brutais. E sem qualquer explicação possível.
Rezo por eles. E rezo para que tenham o dom da fé. O consolo possível da fé.


#Jardim

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Porto no lugar certo

1. Manchester. Bayern. Milan. Champions. Cresci a ganhar contra orçamentos e probabilidades. Não me contaram. Fui eu que vi.
2. O Porto é isto meus amigos. A novidade é que nos dias que correm sabe especialmente bem poder dizê-lo.
3. Faz diferença termos protagonistas identificados com o que somos. No campo e no banco.
4. Jogar bem é também não perder a cabeça, ser disciplinado e resistir ao deslumbramento. Em contraste com o opositor. E foi nisso que também fomos melhores. Duas vezes.
5.  De trás para a frente, diz-se. Saímos de Roma sem sofrer um golo.
6. Faz-nos bem desprezarem-nos. E dizerem que não somos favoritos.
7. Porto e Europa. Champions é o lugar certo.
8. Já só penso no próximo jogo. É aquele em que voltamos a não ser favoritos não é?

#Saladejogos

domingo, 21 de agosto de 2016

O selvagem que vive comigo

Não escapo aos diálogos comigo mesmo. Aliás, vivo em acesa conversa interior.
Tomo decisões, rio-me, irrito-me. Passo por momentos primários e também experimento os profundos. E tudo isto - como é próprio - sem filtros ou cerimónias (afinal o "cara" do lado de lá sou eu mesmo).

Ontem, depois de um desses momentos (daqueles de irritação), caí em mim. Posso estar à vontade mas não preciso de exagerar, pensei (lá está, também passo da irritação aos momentos profundos numa fracção de segundo e só não me tomam por maluco porque sou eu comigo...). Bem, pensava eu, o chorrilho denso e irreproduzível de palavrões que me disse não pode continuar sem freio. Mesmo tendo presente que me queixava em nome do dedo mindinho do meu próprio pé (que tem um caso amoroso com a perna da cadeira do quarto, só pode). Não é modo de vida. Já sei, foi só comigo e entre mim. Já sei, foi interior e ninguém ouviu. Já sei, o efeito libertador de um bom palavrão não é desprezível. Sei tudo isso. Mas começo a ter receio. Às vezes que me refugio interiormente nos palavrões - e não é sempre em nome do meu querido dedo mindinho do pé (que até merece o vernáculo) - ainda me revelo e perco a autoridade.
Tenho de me preservar. Pelo menos perante os meus filhos. E se puder ser perante alguém mais, tanto melhor.

Estarão a pensar que os bons modos que ainda vou praticando são um espartilho - são, em muitos momentos, não nego. Mas aquele selvagem que fala comigo permanentemente também não sou eu. E deve ser controlado!

Tenho que ter mais cuidado com o dedo mindinho do meu pé ...

saladeestar

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Eu queria o Rafa ... mas pode ter sido bom

Hoje não faltarão as tradicionais parangonas. Por gozo ou por revolta. Por todo o lado se lerá que o Benfica ganhou ao Porto o concurso (à jornalista diz-se "o concurso") por Rafa.

Ganhou, é certo. Cá para mim não é mérito nem de olheiros (scoutings, desculpem), nem de génios da arte de negociar, e muito menos dos lindos olhos do vencedor. Dinheiro, meus amigos, dinheiro (estamos rafados, dirão os mais divertidos)!
É que, dolosamente, para os lados do estádio mais bonito do país deixou de haver muita coisa essencial. E uma delas é dinheiro.

Nem tudo é mau. Tenho a esperança - se não mesmo a convicção - que da secura dos cofres pode brotar a limpeza tão necessária. E daí ao regresso do que somos (ou devemos ser) estaremos mais perto.

Não precisamos de ser um maná de virtudes (o futebol não se quer para isso). Mas dispensamos este antro de vícios. E eu confio na sabedoria popular. Quem não tem dinheiro não tem ... . Isso.

#Saladejogos

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Ignorância olímpica

Não me excluo. Sou daqueles que, como bom parolo, como bom ignorante e, sobretudo, como bom adepto da festa, parte para os Jogos Olímpicos com uma «fesada» inchada.
Não sei porquê acho sempre que é desta que vamos sair de lá com uma mão cheia de medalhas (no mínimo!).
Conheço mais ou menos um ou outro atleta, tenho uma ideia das modalidades em que participam e já tenho mais dificuldades em saber com o mínimo de rigor as provas em que vão competir (facilmente faço confusão entre os atletas dos 5.000 e os dos 10.000 metros, entre o K1 500 ou K1 1000, entre as categorias de pesos no judo, etc).
Até posso saber qualquer coisa mas a verdade é que não sei nada sobre as reais hipóteses dos nossos compatriotas em competição. Não faço ideia do seu lugar no ranking, muito menos sei quem são os seus adversários e quais as marcas com que se apresentam. Mas nada nem ninguém me abala a «fesada» de partida.
E como é próprio da ignorância, quando de mãos dadas com a «fesada», vou quase sempre parar à exigência (face aos outros, claro).
A desilusão que depois nos assalta – que me assalta – tem muito pouco de fundamento e de justiça. Quando vou «estudar» um bocadinho percebo que se fizeram milagres, grandes prestações, marcas incríveis.
A Patrícia Mamona, por exemplo, ou o Nélson Évora, por razões diferentes, fizeram provas incríveis que nos deviam encher de orgulho. E o Fernando Pimenta – para dar mais um exemplo – deu tudo e não foi feliz.
Retracto-me. E agradeço.
#Saladejogos

Locução olímpica

De 4 em 4 anos os Jogos Olímpicos devolvem-nos em larga escala a qualidade no comentário desportivo. Da ginástica à natação. Do remo ao atletismo (porventura o meu preferido). E por aí fora.
Talvez seja da necessidade interiorizada de nos explicarem para lá do mero comentário - e por isso nos municiam com informações detalhadas, rankings, histórico e prestações recentes de cada atleta ou equipa. De repente percebemos que a locução no desporto pode ter qualidade (chego a gostar do tom de voz!).
Os senhores comentadores e locutores do desporto rei têm muito a aprender. E têm onde.

#Saladeestar
#Saladejogos