sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Insensibilidade e derrota

Assusta-me esta sensação de (já) ter de me impor uma reacção de horror e indignação perante o próprio horror.

Começa a ser assim. Com os incêndios (em Portugal). Com os atentados terroristas (ontem em Barcelona). Com o terrorismo de Estado (por estes dias na Venezuela).

O risco iminente de insensibilidade - que teimo em contrariar - são um triste sinal dos tempos menos bons que vivemos.

É verdade que a natureza humana é também capaz do melhor - e não devemos perder essa esperança e esse sentido de futuro - mas o alastramento do mal e do ódio não podem ficar por "minutos de silêncio" ou declarações de "solidariedade" (palavra quase vã neste nosso tempo). Ou bem que somos consequentes ao ponto de perceber que estamos mesmo perante um confronto de valores com conteúdo - e então lutamos pelos nossos - ou chegará mesmo o dia da insensibilidade. E da derrota.

#Saladeestar
#Escritório

sábado, 12 de agosto de 2017

Diz que são férias (V)

"Caro Senhor Montenegro, muito obrigado pela sua estadia. Agradecemos que o check-out ocorra até às 10h."
Não há maior anti-clímax das férias que este aviso (ou esta ameaça, para ser mais rigoroso). Passamos dias e dias a conquistar hábitos e horários justos (asseguro que deitar tarde e tarde erguer é saudável), e quando a coisa está bem oleada lá vem a ameaça que estraga tudo. Eu já não gosto da operação "desmontar a tenda" (custa-me mais que fazer malas de partida para férias e muito mais que carregar o carro). E gosto ainda menos de viver esse momento violentando o sono e a harmonia biológica criada ao longo de dias de descanso. E a verdade é que esse dia é sempre precedido de uma noitada de descrição quase proibida (ainda hei-de tentar perceber por que raio os astros se conjugam invariavelmente para que a véspera seja exigente...).

#Saladeestar

Diz que são férias (IV)


Uma noitada. Uma tem de ser. Mas onde? Qual? Como?
Não interessa. Uma noitada tem de ser. Somos mais de 20. Todos bem resolvidos. Onde formos e quando formos, pintamos a manta. Nem é preciso muito. Não há melhor combustível que a vontade - quase fome - de ir. E o grupo de sempre é um aditivo imbatível.
E depois, como é?
É o costume. Regada a gins e a finos, a entrega é total. O DJ fica convencido que é um génio (nem imagina quão fácil é a missão!). E as horas galopam noite dentro ao som de abraços e risotas cada vez mais fáceis. É sempre assim. Mas é tão bom!

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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Diz que são férias (III)

Os últimos dias são por regra dias de consumite aguda lá por casa. Meninos, comam os gelados! Meninos, comam os iogurtes! Meninos, bebam sumos! Meninos, comam, bebam, comam, bebam!!!
Depois de vários dias de normal parcimónia (é importante regrar os apetites dos petizes, e gerir o frigorífico com um mínimo de ordem), chegamos aos últimos dias com o propósito inverso. Pouco interessa a coerência (e quase até a educação dos miúdos). Já só interessa não deixar nada no frigorífico para não ter de carregar sobraa de mercearia no regresso. A vida é sempre muito complexa.

#Saladeestar

Diz que são férias (II)

Sempre achei curiosa a tensão a que os casais se expõem nos momentos clássicos de partida e de regresso de férias. E, como que numa espécie de osmose de coerência, a essa tensão junta-se a birra do mais pequeno, a asneira do mais velho e a mimalhice exacerbada da do meio. Tudo em absoluta harmonia, num concurso de stress e confusão. Não sei explicar mas até já acho graça ao fenómeno (o que é meio caminho andado para o contrariar).

#Saladeestar

Diz que são férias (I)

Há a operação malas. Há, depois, a inevitável operação "carregar o carro". E, claro, há os sacos e saquinhos que minam a operação (a mala do carro até fechava sem que se visse um único saco por cima da tampa!). A distância para a condição de carro de feirante é curta e há-de haver sempre um saco (ou dois ou três ou sei lá quantos mais) que nos impõe a rendição. Nunca na vida vamos de férias com classe e com ordem ... mas é mesmo assim.

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Mega felizes e sempre fixes

Não foi nada de especial. Quer dizer, não foi mau, mas não foi nada de especial. Éramos todos amigos, esteve-se bem, mas não foi memorável. Foi simplesmente normal. E ter sido normal não tem mal nenhum.
Mas estejam descansados. A meio lá tirámos a fotografia. Abrimos o nosso melhor sorriso (como se alguém tivesse contado uma anedota). E já não sei quem é que ficou de editá-la (para disfarçar o pouco bronze de alguns).
E estejam descansados também que mal seja publicada a foto vamos lá todos, disciplinadamente, pôr like (há quem esteja a pensar em pôr um coração). E já distribuímos os comentários por todos. A mim, por exemplo, coube-me um «Top, Top, Top!!!», à Ana (a que vai pôr o coração), ficou destinado «Mega jantar! A repetir!», o Miguel (como é típico dele) vai comentar com «Grandes vinhos! Grandes Risotas!», e o Manel ficou de escolher uma private qualquer (tem que ser qualquer coisa que sugira uma piada que só os que lá estiveram compreendem, mesmo que não seja verdade).

Tudo menos passar a ideia que foi um jantar normal, que nós cá queremos fazer parte do grupo dos mega felizes e sempre fixes!

#Saladeestar